Blog

Assédio moral no trabalho e no âmbito acadêmico: algumas considerações

Este é um assunto muito importante em uma época como a nossa, no mundo moderno, no qual o trabalho (especificamente a construção de uma carreira), adquiriu um papel tão importante na vida das pessoas. Considera-se como assédio no trabalho qualquer tipo de conduta abusiva que se manifesta por palavras e gestos que tem como consequência afligir/lesionar a personalidade, dignidade, integridade física ou psicológica de um indivíduo.

Pensar neste assunto nos leva a considerá-lo por um prisma ainda mais amplo, levando também em consideração o contexto acadêmico e educacional. Notícias recentes (1) publicadas na mídia nacional, entre os anos de 2017 e 2018, mostram problemáticas importantes de saúde mental entre alunos de pós-graduação. No ano de 2017 foi também relatado na mídia brasileira um caso de suicídio dentro de uma universidade. Considerar tais casos como sendo meramente casos isolados de alunos “problemáticos” é fechar os olhos para as causas sociais que estão sendo expostas a partir deles.

Não basta dizermos que alunos com sintomatologia depressiva devem buscar tratamento, a questão é: como construir um ambiente que não seja psicopatológico? A realidade, no meio acadêmico, é que temos professores-pesquisadores que sentem-se sobrecarregados e pressionados para publicar, dependem da sua produtividade e utilizam alunos como elo mais fraco desta corrente, com os quais podem descarregar todo o estresse desta pressão auto-imposta. O que isso diz do tipo de qualidade e desempenho que está sendo privilegiado? A universidade enquanto um espaço meramente produtivista segue uma lógica que nada diz de um espaço de sabedoria ou de conhecimento genuíno, mas sim de individualismo e competitividade, por vezes muito bem mascarados. É neste sentido a importância de explicitar o mal-estar, não encobrir nossos sentimentos, pois este é o primeiro passo para buscar soluções para atingirmos uma melhora coletiva – que irá alcançar tantos outros que sofrem com os mesmos problemas.

O que podemos tirar de aprendizado dessas notícias que se espalham sobre assédio moral no âmbito do trabalho e da universidade, não é acharmos que um ambiente específico seja gatilho para sintomas depressivos, e sim pensarmos nas instituições como um todo. Seja no trabalho, na família, na escola/universidade, todos os espaços de relação necessitam ser também espaços de promoção de saúde mental.

Valéria F. Fraga

Atenção multidisciplinar no atendimento aos idosos: o papel da psicologia

Um dos fenômenos mais significativos da nossa sociedade urbanizada e do avanço das tecnologias é o envelhecimento da população. Nas últimas décadas, nossa sociedade tem demonstrado maior preocupação com os idosos, e essa tem se tornado uma demanda para os profissionais envolvidos com saúde mental. Quais os efeitos dessa transformação em nossa sociedade? Com o envelhecimento da população, os déficits cognitivos passam a ter maior incidência, bem como outras problemáticas como a depressão, que podem causar prejuízos na cognição. Assim, o envelhecimento saudável passa a ser uma temática relevante para a formulação de políticas públicas e convoca os profissionais a se qualificarem para atender essa população.

SENAI-Cuidador-de-Idosos

E então, como a psicologia tem buscado contribuir para o envelhecimento saudável? Hoje em dia há um consenso na literatura científica quanto a ideia de que há um continuum clínico que se estende desde o funcionamento cognitivo normal no idoso até alterações leves e progressivamente mais graves de memória, funções executivas e outras esferas da cognição, atingindo uma fase de importante comprometimento cognitivo e funcional. Neste sentido, o psicólogo com especialização em avaliação psicológica e neuropsicologia tem um papel muito relevante, fornecendo subsídios para o diagnóstico precoce destes idosos. Além disso, há outro aspecto muito importante a considerarmos: as medidas interventivas e preventivas que podem retardar a progressão da deterioração cognitiva, reduzindo o número de casos no futuro. O psicólogo atua também nessas medidas interventivas, através da estimulação cognitiva, reabilitação neuropsicológica e treino cognitivo, melhorando as funções cognitivas e proporcionando melhor qualidade de vida aos idosos. Diversas tecnologias como jogos e outras plataformas tecnológicas de treino cognitivo são aliadas neste processo. Envelhecer com autonomia, independência, qualidade de vida, é um desafio que se coloca na nossa sociedade atual, e o treino cognitivo tem demonstrado efeitos significativos na redução de ansiedade e depressão.

FONTE: Atualizações em Geriatria e Gerontologia VI: Envelhecimento e saúde mental. EDIPUCRS. Porto Alegre, 2016.

Valéria Figueiredo Fraga

Algumas considerações sobre a depressão na primeira infância: um olhar psicanalítico

Hoje sabe-se na psicologia que as intervenções precoces com crianças são de fundamental importância, após a identificação dos sinais de sofrimento nos bebês (nisto entra o papel do psicodiagnóstico). O bebê humano nasce inacabado, desamparado do ponto de vista fisiológico, com a necessidade de cuidados de alguém especialmente interessado nele para que possa sobreviver. Porém, não é apenas para essas demandas que devemos estar atentos. O bebê nasce também imerso em um desamparo psíquico, a espera de palavras que o tirem dessa posição e de vínculos afetivos que sustentem sua constituição de sujeito. Assim, para que o bebê possa se desenvolver em um ambiente satisfatório é de grande importância que ele encontre alguém que proporcione um acolhimento adequado. Trata-se de sobrevivência física e psíquica.

mum-and-bub

À luz da psicanálise, devemos considerar que o ser humano, para constituir-se enquanto sujeito desejante, precisará aceder ao simbólico. Para isso, precisará passar por um processo de simbolização que dependerá do Outro e que irá constituir sua estrutura psíquica e suas habilidades corporais. A psicanálise tem um papel importante na atualidade por proporcionar um olhar mais atento às crianças e com mais respeito aos modos singulares que elas encontram para manifestarem o que sentem, pois estes são diferentes dos modos como os adultos se expressam. Assim, muitas vezes, existe de fato dificuldade em reconhecer estados de sofrimento psíquico nas crianças. Com isso, a sintomatologia da depressão infantil pode passar despercebida ou até mesmo ser confundida com uma fase de temperamento difícil ou retraído. Buscar profissionais de saúde mental nesta época, acompanhando a gestação e a primeira infância, bem como trabalhar questões do casal e da família, é uma oportunidade de grandes diferenças para o desenvolvimento da criança, que terá repercussões na vida adulta. Lembre-se: cuidar da saúde mental é prioridade!

Valéria Figueiredo Fraga

Avaliação Psicológica: o que é?

Quando se fala em avaliação psicológica, por vezes há muita curiosidade dos leigos sobre o assunto. É um tema que gera curiosidade na população, que em geral tem em mente a ideia de avaliação psicológica como sinônimo de “psicotécnico”, aqueles exames bem conhecidos por quais todos passam ao tirar a carteira de motorista, ou para conseguir uma vaga de emprego. Afinal, o que é avaliação psicológica? É apenas aplicação de testes, ou de técnicas específicas? Cabe esclarecer melhor o assunto.

Primeiramente, a avaliação psicológica é um processo. A testagem é uma parte bastante importante deste processo, mas não deve ser tomada de maneira isolada. Na verdade, a testagem é apenas um dos recursos que o psicólogo utiliza para acessar o sujeito e investigar a questão a qual se propõe. Tendo dito isso, é importante salientar que a avaliação psicológica pode ser feita para diversos propósitos e em diferentes contextos. O psicólogo usa estratégias de avaliação psicológica com objetivos bem definidos e para encontrar respostas a questões específicas, de acordo com o contexto da avaliação. Por exemplo: avaliação psicológica para registro e porte de armas de fogo; avaliação neuropsicológica para investigar sintomas demenciais em idosos; psicodiagnóstico (avaliação com propósitos clínicos), entre tantas outras! Cada uma terá suas especificidades e responderá a questões específicas.

Cada tipo de avaliação psicológica demandará bastante preparo e experiência por parte do psicólogo, que precisará buscar capacitação muito além do que se aprende na graduação em Psicologia. Independente da finalidade da avaliação, este não é um processo simples, pois além de necessitar de conhecimento e competência específicos, os instrumentos (como os testes psicológicos) normalmente utilizados nas avaliações são custosos e devem ser escolhidos de forma cuidadosa pelo profissional. A interpretação dos resultados provenientes da avaliação envolve aspectos éticos importantes, necessita compreensão do funcionamento psíquico e atentar para a construção da subjetividade. Deste modo, o Psicólogo, devido à sua formação, é o profissional corretamente capacitado para interpretar os resultados e transmitir aos interessados.


Psicóloga Valéria Fraga CRP 07/26315 – Especialista em Avaliação Psicológica