Autismo: concepções e preconceitos

Não é raro ouvir afirmações sobre pessoas com autismo como “Autistas não pensam”, ou “Autistas não usam a linguagem”. Qual o fundamento deste tipo de pensamento? São originados em teorias psicanalíticas muito antigas, e os autores de tais ideias utilizavam como base a observação clínica e suas opiniões pessoais a partir destas observações, e não a metodologia científica. Porém, com a evolução da ciência principalmente no âmbito das neurociências, hoje em dia são realizadas investigações muito mais precisas sobre o funcionamento neuropsicológico.

O autismo é um transtorno do neurodesenvolvimento, ou seja, faz parte de um grupo de transtornos que têm início no período do desenvolvimento infantil. O DSM-V classifica os os seguintes transtornos neste grupo: Deficiências intelectuais, Transtornos de Comunicação, Transtorno do Espectro Autista, TDAH, Transtornos Específicos da Linguagem, Transtornos Motores, e outros. O ponto central de todos estes transtornos está o fato de estarem ligados à maturação do sistema nervoso central. Autores consideram que os fatores relacionados com melhor prognóstico no contexto do TEA são a ausência de DI (deficiência intelectual), ausência de problemas de linguagem e outros problemas de saúde (APA 2013/2014).

Há *estudos sobre a influência genética* no autismo, que investigam traços característicos do TEA em familiares de indivíduos com o transtorno. Entre os traços identificados em familiares de autistas estão o retraimento social e a rigidez comportamental. * http://www.scielo.br/pdf/rbp/v28s1/a05v28s1.pdf

No que diz respeito à avaliação de inteligência no autismo, é necessário fazer algumas ponderações. Pode-se constatar de forma precipitada a existência de uma “debilidade” mental, desconsiderando alguns aspectos contextuais. A situação de uma avaliação neuropsicológica é uma situação estruturada que requer um certo nível de interação social e de comunicação, isso por si só já dificulta a aplicação de testes formais, tendo em vista que a principal dificuldade presente no autismo é justamente a interação social e a comunicação. Por isso, é importante que os resultados obtidos na testagem sejam contextualizados e considerados de forma cuidadosa, sem reforçar estigmas. Os testes nem sempre conseguem captar o potencial do indivíduo e seu desempenho em outras situações do cotidiano.