Atenção multidisciplinar no atendimento aos idosos: o papel da psicologia

Um dos fenômenos mais significativos da nossa sociedade urbanizada e do avanço das tecnologias é o envelhecimento da população. Nas últimas décadas, nossa sociedade tem demonstrado maior preocupação com os idosos, e essa tem se tornado uma demanda para os profissionais envolvidos com saúde mental. Quais os efeitos dessa transformação em nossa sociedade? Com o envelhecimento da população, os déficits cognitivos passam a ter maior incidência, bem como outras problemáticas como a depressão, que podem causar prejuízos na cognição. Assim, o envelhecimento saudável passa a ser uma temática relevante para a formulação de políticas públicas e convoca os profissionais a se qualificarem para atender essa população.

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E então, como a psicologia tem buscado contribuir para o envelhecimento saudável? Hoje em dia há um consenso na literatura científica quanto a ideia de que há um continuum clínico que se estende desde o funcionamento cognitivo normal no idoso até alterações leves e progressivamente mais graves de memória, funções executivas e outras esferas da cognição, atingindo uma fase de importante comprometimento cognitivo e funcional. Neste sentido, o psicólogo com especialização em avaliação psicológica e neuropsicologia tem um papel muito relevante, fornecendo subsídios para o diagnóstico precoce destes idosos. Além disso, há outro aspecto muito importante a considerarmos: as medidas interventivas e preventivas que podem retardar a progressão da deterioração cognitiva, reduzindo o número de casos no futuro. O psicólogo atua também nessas medidas interventivas, através da estimulação cognitiva, reabilitação neuropsicológica e treino cognitivo, melhorando as funções cognitivas e proporcionando melhor qualidade de vida aos idosos. Diversas tecnologias como jogos e outras plataformas tecnológicas de treino cognitivo são aliadas neste processo. Envelhecer com autonomia, independência, qualidade de vida, é um desafio que se coloca na nossa sociedade atual, e o treino cognitivo tem demonstrado efeitos significativos na redução de ansiedade e depressão.

FONTE: Atualizações em Geriatria e Gerontologia VI: Envelhecimento e saúde mental. EDIPUCRS. Porto Alegre, 2016.

Valéria Figueiredo Fraga

Algumas considerações sobre a depressão na primeira infância: um olhar psicanalítico

Hoje sabe-se na psicologia que as intervenções precoces com crianças são de fundamental importância, após a identificação dos sinais de sofrimento nos bebês (nisto entra o papel do psicodiagnóstico). O bebê humano nasce inacabado, desamparado do ponto de vista fisiológico, com a necessidade de cuidados de alguém especialmente interessado nele para que possa sobreviver. Porém, não é apenas para essas demandas que devemos estar atentos. O bebê nasce também imerso em um desamparo psíquico, a espera de palavras que o tirem dessa posição e de vínculos afetivos que sustentem sua constituição de sujeito. Assim, para que o bebê possa se desenvolver em um ambiente satisfatório é de grande importância que ele encontre alguém que proporcione um acolhimento adequado. Trata-se de sobrevivência física e psíquica.

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À luz da psicanálise, devemos considerar que o ser humano, para constituir-se enquanto sujeito desejante, precisará aceder ao simbólico. Para isso, precisará passar por um processo de simbolização que dependerá do Outro e que irá constituir sua estrutura psíquica e suas habilidades corporais. A psicanálise tem um papel importante na atualidade por proporcionar um olhar mais atento às crianças e com mais respeito aos modos singulares que elas encontram para manifestarem o que sentem, pois estes são diferentes dos modos como os adultos se expressam. Assim, muitas vezes, existe de fato dificuldade em reconhecer estados de sofrimento psíquico nas crianças. Com isso, a sintomatologia da depressão infantil pode passar despercebida ou até mesmo ser confundida com uma fase de temperamento difícil ou retraído. Buscar profissionais de saúde mental nesta época, acompanhando a gestação e a primeira infância, bem como trabalhar questões do casal e da família, é uma oportunidade de grandes diferenças para o desenvolvimento da criança, que terá repercussões na vida adulta. Lembre-se: cuidar da saúde mental é prioridade!

Valéria Figueiredo Fraga